Apresentação

Criado em 1971, e único Programa dedicado à História Econômica, ao longo desse período tem se destacado como marco da especialidade, tanto pela docência de importantes quadros historiográficos, como pela formação de professores da Área, para todo o país. Na presente década, a renovação do Corpo Docente, pela saída de renomados especialistas e pela entrada de jovens especialistas, colocou em evidência a necessidade de sua reformulação. A última avaliação expressou a situação, indicando pontos frágeis a serem priorizados e que estão indicados na contextualização do Programa.

1.    Histórico do Programa

Desde sua criação em 1971, o Programa de Pós-Graduação em História Econômica vem apresentando diferentes tendências em suas linhas de pesquisa e de orientação, tendências que acompanham de perto o movimento da historiografia nacional e internacional e correspondem a claros indicadores sobre o perfil do seu corpo docente.

Esse processo evolutivo pode ser constatado ainda antes do nascimento do Programa nos anos 1970, pois os estudos de Alice P. Canabrava, Olga Pantaleão, Astrogildo R. de Mello e Eurípedes Simões de Paula no decorrer da década de 1940 e que terão importância fundamental nos estudos posteriores de História Econômica na Universidade de São Paulo podem ser considerados precursores nesse sentido.

Nos anos 1950 e 1960, inúmeras outras teses viriam enriquecer as análises sobre o Brasil e a América Latina em geral, enfatizando especialmente a questão do comércio e da agricultura. Datam dessa fase os estudos clássicos de Myriam Ellis, Maria Thereza Schorer Petrone, Manoel Nunes Dias e Emanuel Soares da Veiga Garcia.

Nos anos 1970, o perfil do primeiro corpo docente que formou os quadros do Programa representava a síntese das preocupações de pesquisa na área, abrindo um leque de opções aos alunos ingressantes e assegurando um trabalho fecundo de orientação em: Economia e Comércio Coloniais, Estrutura Agrária, Escravismo, Modernização e Industrialização, Relações de trabalho e Sindicalismo. Nesse momento de fundação, integraram o corpo docente Suely Robles Reis de Queiroz, Edgard Carone, José Eduardo Marques Mauro e José Jobson de Andrade Arruda. Do ponto de vista temático e teórico, a década de 1970 refletiu modificações importantes no corpo da produção intelectual, com a abertura de novas perspectivas de análise, enfocando os grupos minoritários, os estudos regionais, os mercados internos, dando-se relevo às abordagens quantitativas.

As pesquisas concluídas na década de 1980, tanto por parte do corpo docente quanto por parte do corpo discente, seguiram a trilha fecunda do momento anterior, pautando-se por análises regionais, com cortes no tempo e, principalmente, pela revisão de temas antes consagrados, abrindo assim possibilidades novas de pesquisa.

No decorrer da década de 1990, o Programa, face à ampliação do número de orientadores credenciados e ao aumento da demanda dos alunos, atualizou e adequou o seu perfil. Sem dúvida, preocupações teórico-metodológicas advindas dos momentos anteriores, entre os anos 1940 e 1980 continuaram definindo suas linhas de pesquisa, o que não impediu que mudanças importantes ocorressem nessa fase. Havia, no entanto, que preservar o caráter eclético da tradição uspiana, conciliando ambos os aspectos.

A consolidação do Programa exigia que fossem debatidas e articuladas as linhas de pesquisa de modo a aproveitar a experiência adquirida e agrupar, ao mesmo tempo, o potencial dos docentes recém incorporados à área: Raquel Glezer (DH-USP, Urbanização e Modernização); Eni de Mesquita Samara (DH-USP, População, Gênero e Família), Nelson Hideiki Nozoe (FEA-USP, População e Mercado Interno), José Flávio Motta (FEA-USP, População e Escravismo) e Maria Beatriz Borba Florenzano (MAE-USP, Arqueologia e Cultura Material).

Em 1997, como resultado do esforço conjunto do Colegiado de História Econômica, foram identificadas, a priori, cinco grandes unidades de interesse: História Econômica do Brasil, História Econômica da Época Moderna, História Econômica Contemporânea, História Agrária e Economia e Escravismo.
Em 2000, dando continuidade ao processo de articulação de linhas de pesquisa, professores que então compunham o Programa foram alocados em dois grandes eixos temáticos, objetivando seminários e debates: Campo e Cidade na História e População, Economia e Sociedade.

1.2. CONTEXTO ATUAL

O Programa de Pós Graduação em História Econômica passou, nos últimos cinco anos, por processo acelerado de renovação e crescimento. Momentos privilegiados de reflexão, para a essas mudanças  foram os  Congressos internos do Programa de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, ressaltando  o encontro da Associação Brasileira de Pesquisa em Historia Econômica – principal órgão representativo da área -  realizado na USP também em 2012.

Do ponto de vista teórico metodológico, dedica-se  ao estudo e à pesquisa da História Econômica, na perspectiva dos historiadores. Dessa forma, vai além do arrolamento cronológico e/ou quantitativo das ocorrências econômicas, buscando compreendê-las dentro de contexto social mais amplo, em que o econômico só pode ser entendido quando relacionado à política e à cultura. Parte, portanto, de visão mais ampla da economia, como instância do histórico, em movimento dialético e não em perspectiva economicista.

Tal posicionamento teórico implica em gama variada de análises, desde as conceituais, até as econométricas, fixando-se principalmente na produção social dos eventos econômicos.

Vale ressaltar a inclusão de novos docentes ao Programa, desde a última avaliação trienal, sendo: 2013 - Profs. Drs. Daniel Strum, Felipe Pereira Loureiro, Francisco de Assis Queiroz, Lelio Luiz de Oliveira, Maximiliano Mac Menz, Sara Albieri e Ruy Gomes Braga Neto, totalizando 7; 2014 – Profs. Drs. Antonio Carlos Mazzeo, Everaldo de Oliveira Andrade, Guilherme Grandi e Luiz Bernardo Murtinho Pericás, somando 4; 2015 – Prof. Dr. Marcelo Cândido da Silva.

Consequentemente, o número total de alunos matriculados evoluiu (68 Mestrandos e 75 Doutorandos – 2013; 76 Mestrandos e 80 Doutorandos – 2014; 80 Mestrandos e 92 Doutorandos - 2015).